Epopéia de Gilgamesh e a imortalidade

 

Epopeia de Gilgamesh e o Dilúvio

A Epopeia de Gilgamesh é uma das lendas da história e faz parte das narrativas dos povos sumérios. A lenda conta a história de Gilgamesh, rei sumério e fundador da cidade de Uruk que governou a região por volta do ano 2.700 a.C. Esta epopeia é conhecida graças à descoberta de uma placa de argila escrita em caracteres cuneiformes em ruínas da região mesopotâmica encontrada por volta de 1849 pelo arqueólogo Austen Harry Layard e traduzidas anos depois por Henry Rawlinson e George Smith.

Tábua sobre a epopeia.

Gilgamesh é demonstrado na epopeia como um grande conhecedor das coisas do mundo, inclusive de sua origem e de coisas existentes nas profundezas dos mares. Mas o rei Gilgamesh era um déspota. Dentre as várias obrigações que impunha a seu povo encontrava-se a construção de uma gigantesca muralha fortificada ao longo da cidade de Uruk.

O povo cansado com o despotismo de Gilgamesh e amedrontado com o trabalho imensamente fatigante clamou pela ajuda da deusa Ishtar, que os ouviu e enviou Enkidu. Este, que era protegido da deusa e vivia nas florestas de cedros, deveria desafiar e vencer Gilgamesh em um duelo, matando-o em seguida. Ao chegar ao palácio do rei, iniciou o combate. Entretanto, não houve vitoriosos, sendo que Gilgamesh e Enkidu se tornaram amigos. A amizade os levou a diversas aventuras, destruindo monstros e harmonizando o mundo.

A deusa Ishtar sentiu ciúmes da amizade e tentou seduzir Gilgamesh que, sabendo que aquele que amasse a deusa morreria, não aceitou ser seu amante. A deusa com muita ira pela recusa decidiu matar o amigo de Gilgamesh, Enkidu, infligindo a ele uma doença que o deixou agonizando por doze dias antes de morrer. Com a perda do amigo, Gilgamesh resolveu ir atrás de novas aventuras, o que o levou a encontrar Utnapishtim, um homem imortal que revelou um triste mistério dos deuses: em tempos remotos os deuses haviam decidido submergir a terra de Shuruppak, mas que ele, pela sua devoção, havia recebido ordens de construir uma arca no meio do deserto e abrigar seus familiares, amigos e os quadrúpedes e aves de sua escolha. Utnapishtim assim o fez e, depois de seis dias e seis noites, salvou as pessoas e os animais, conseguindo em troca a imortalidade.

Esse trecho do encontro de Gilgamesh com Utnapishtim é um dos mais conhecidos e influenciou várias lendas na Antiguidade oriental, inclusive a lenda bíblica do dilúvio hebreu, famosa pela arca de Noé. Sendo a produção da Epopeia de Gilgamesh anterior à história bíblica, pode-se perceber a influência que a cultura suméria exerceu sobre os povos da Mesopotâmia e do Oriente Médio.

Gilgamesh ainda tentou conseguir a imortalidade, chegando inclusive a descer ao fundo do mar em busca de uma planta que seria capaz de evitar sua morte. Mas o rei perdeu a planta no caminho e, com medo da morte, já em sua cidade Uruk, evocou seu amigo Enkidu, que lhe contou sobre a vida no mundo das trevas.

A epopeia se tornou famosa no mundo pela sua antiguidade e pela semelhança com a lenda do dilúvio bíblico hebreu.

Projeto Gilgamesh

Então, fazendo uma relação entre passado e presente e entre a lenda suméria de Gilgamesh e as nossas questões existências, como: o tempo, o envelhecimento e a morte. Você já ouviu falar sobre o Projeto Gilgamesh? Se trata de um projeto que busca, por meio do desenvolvimento científico o prolongamento da vida humana. Especialistas em nanotecnologia estão desenvolvendo um sistema imunológico biônico composto de milhões de nanorobôs, que habitarão os corpos humanos, abrindo vasos sanguíneos obstruídos, combatendo vírus e bactérias, eliminariam células cancerosas e até mesmo reverteriam processos de envelhecimento.

Atualmente alguns pesquisadores sérios sugerem, por volta de 2050, alguns humanos terão se tornado amortais - não imortais, porque ainda poderão morrer por causa de algum acidente, mas amortais, o que significaria dizer que, na ausência de um trauma fatal, suas vidas poderão ser indefinidamente estendidas). (HARARI, 2011, p. 364)

REFERÊNCIAS

HARARI, Yuval Noah. Sapiens - Uma breve história da Humanidade. Trad. Janaina Marcoantonio. - Porto Alegre, RS: L&PM, 2020. 

SILVA, Daniel Neves. "O que é a Epopeia de Gilgamesh?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-epopeia-gilgamesh.htm. Acesso em 14 de abril de 2021.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fichamentos de Carl Sagan

Síntese de Sapiens: Uma breve história da Humanidade

Racismo Estrutural: uma síntese do livro do professor Silvio Almeida por Grace Kelly Ferreira